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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O Munduruku e as sete quedas

Descrição para cegos: fotografia de uma queda d’água. A água escorre por grandes rochas no centro da foto. Nos cantos superiores vemos folhas de árvores. (Foto Nayla Georgia).
Por Nayla Georgia

        Eles só entraram. Ninguém chamou, nem sequer deixou. Mas eles entraram. Caí. Represaram a água que corria para o Karabixexe e destruíram nossa redenção. Não bastou grito, choro ou confusão. Caí. Levaram nossos bisavós e as memórias que eles deixaram. Caí. Mataram a mãe e caí de novo. Mas e quem ficou para botar ordem na nossa casa? Aliás, Dekuka’a já nem existia mais. E novamente, caí.
        Lembro-me do paraíso como se fosse ontem. Era como mulher: transbordava de beleza e força. E lá a gente ia sempre quando precisava tomar aquele sopro de coragem. Respirava, se banhava e a mãe aconselhava. Como é que vai ser agora?
O pajé disse que os antepassados queriam saber por que não tinham mais morada. Dava pra ver no olho dele uma tristeza tão grande que só poderia ser curada em Karabixexe. Será que tem cura agora? No olho dele, eu caí.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A música na luta pela demarcação de terra indígena

Descrição para cegos: imagem da índia Djuena Tikuna usando cocar de penas na cabeça, pintura no rosto, colar em formato meia lua com pintura geométrica triangular e brincos de penas.

Por Jaqueline Lima

No fim de abril, foi lançada durante a Mobilização Nacional Indígena, a canção Demarcação Já, em apoio à demarcação das terras indígenas e criticando o governo e os ruralistas. A canção tem letra de Carlos Rennó e música de Chico César. A iniciativa parte da solidariedade dos artistas à luta de um povo que muitas vezes é ignorado pela nossa sociedade.
A música representa a adesão de muitos artistas ao clamor dos povos indígenas e ao enfrentamento em defesa de seus direitos ameaçados por projetos em tramitação no Congresso Nacional visando alterar as regras de demarcação das terras indígenas, beneficiando os ruralistas e prejudicando os verdadeiros donos.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A luta constante pela terra

FUNAI/Reprodução
Por Giovana Ferreira
O capítulo VIII da Constituição garante aos índios o reconhecimento de “sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las”. São consideradas de direito as terras ocupadas pelos indígenas em caráter permanente, utilizadas para suas atividades produtivas e necessárias a sua reprodução física e cultural.
Atualmente, a responsabilidade sobre os estudos necessários para a identificação e demarcação das terras é do órgão federal de assistência ao índio, a Funai, Fundação Nacional do Índio. Cabe a este realizar os estudos de filiação cultural e linguística, sociológicos, ambientais, cartográficos e fundiários que identifiquem os limites das terras indígenas.

quarta-feira, 4 de março de 2015

II Colóquio sobre Diversidade Cultural: com Annelsina Trigueiro


O II Colóquio sobre Diversidade Cultural da disciplina de Jornalismo e Cidadania foi realizado no dia 25 de fevereiro, com a professora Annelsina Trigueiro, pesquisadora das culturas dos povos indígenas do Nordeste. Ela é professora do Departamento de Comunicação da UFPB e tem mestrado e doutorado pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. A organização do colóquio foi de Élison Silva, Ítalo Di Lucena, Laís Albuquerque e Sara Formiga.

No primeiro vídeo, Annelsina fala sobre as influências da modernidade na cultura dos índios.